Estamos longe de conseguir usar o teletransporte?



Seja para estar perto de alguém ou fazer uma viagem rápida, quem nunca desejou se teletransportar para algum lugar distante?

Seja para estar perto de alguém ou fazer uma viagem rápida, quem nunca desejou se teletransportar para algum lugar distante? Encarado como um mito popular, o teletransporte é o tipo de coisa que a gente só ouve falar ou vê em séries, filmes e desenhos animados. Uma das primeiras aparições desta tecnologia aconteceu no seriado Star Trek (Jornada nas Estrelas) na década de 60. Na série a nave USS Enterprise podia enviar seus tripulantes para os planetas em que passavam.

A tecnologia consiste na desmaterialização de um objeto e o envio de suas configurações atômicas para sua rematerialização em outro local e, a verdade, é que o teletransporte já existe, ele só não é tão legal como nos filmes — mas é um pequeno passo (um nanopasso!) para ficarmos mais perto desta tecnologia. 

Em Star Trek o teletransporte de pessoas é possível

Teletransporte quântico

O maior sucesso envolvendo o teletransporte tem a ver com o mundo quântico. Com base nas descobertas de Niels Bohr e outros cientistas, o teletransporte quântico é baseado no comportamento das partículas subatômicas que compõem um átomo. O fenômeno, chamado entrelaçamento quântico, une as propriedades das partículas mesmo quando elas estão separadas, ou seja, duas partículas são geradas juntas e interagem uma com a outra de uma maneira que o estado quântico de uma não pode ser separado do estado da outra. Independente da distância entre elas, a comunicação instantânea de informações pode ser muitas vezes mais rápida que a velocidade da luz. Esse tipo de teletransporte foi comprovado dezenas de vezes desde a década de 90.

Um grupo de cientistas do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologias (NIST) dos Estados Unidos conseguiu avançar um pouco mais e teletransportar uma pequena operação lógica quântica entre dois íons separados. É algo bastante diferente e distante de sumir em um lugar e reaparecer em outro, como na ficção científica. Mas é um ótimo exemplo de como a ciência alcança feitos fascinantes. 

O experimento, que contou com a participação da professora Hilma Vasconcelos, da Universidade Federal do Ceará, conseguiu teletransportar uma operação lógica “NOT controlada” (CNOT) entre 2 qubits de íons de berílio situados a mais de 340 micrômetros. Apesar de parecer “quase nada”, essa distância é suficiente para excluir qualquer interação direta entre os íons. Nesse caso, as informações foram transferidas para os íons de berílio através de um par mensageiro de íons de magnésio entrelaçados. Depois do experimento, a operação lógica continuou funcionando em até 87% das vezes.

Entrelaçamento quântico revoluciona comunicação e segurança

É um avanço para teletransportar pessoas? Ainda não. Esse é um avanço para o desenvolvimento de computadores quânticos, porque a eficiência deles depende da capacidade de realizar operações entre qubits em redes de larga escala.

Mas e o teletransporte de pessoas?

Ok, podemos pegar uma partícula em um local e, em certo sentido, criar uma nova versão idêntica e absoluta, exatamente as mesmas propriedades, exatamente o mesmo estado quântico em outro local.  Mas quando o assunto é teletransportar uma pessoa tudo fica mais complicado. Imagine que cada partícula do corpo precisaria ser traduzida em informação — até os átomos, seriam trilhões de partículas destrinchadas e enviadas de um ponto ao outro. Esses dados seriam transmitidos para um receptor localizado onde a pessoa quisesse ser enviada, iniciando o entrelaçamento quântico. Ou seja, o transmissor teria um monte de partículas entrelaçadas, cada uma sendo metade de um par entrelaçado, e o receptor teria a outra metade das partículas entrelaçadas.

O transmissor, então, enviaria seus dados para o receptor emparelhado em qualquer lugar do mundo, simplesmente digitando seus dados nos estados quânticos das partículas entrelaçadas. O receptor por sua vez “receberia” a pessoa digitalizada e a usaria como um plano para reconstruir seu corpo exatamente como foi enviado, partícula por partícula.

Só que essa reconstrução é um dos pontos mais problemáticos. A equipe da IBM que provou que esse método poderia funcionar não traz boas notícias. O Princípio de Incerteza de Heisenberg determina que, para analisar cada partícula em seu corpo original, seu corpo é interrompido. Ou seja, para ser teletransportado seria necessário morrer ou considerar perder partes nessa “viagem”, já que a configuração única de neurônios de cada cérebro é extremamente complexa.

O desafio seria recriar uma pessoa exatamente como ela era. O scanner quântico no transmissor teria que registrar a posição precisa, o movimento, a orientação e a ligação química de cada átomo em seu corpo. Como se não bastasse tanta dificuldade, alguns especialistas acreditam que as características cognitivas (ideias e lembranças, por exemplo) não poderiam ser transportadas dessa maneira.  A ação parece exigir uma solução quântica, por isso, os computadores quânticos podem ser exatamente o que precisamos para desenvolver técnicas mais seguras de teletransporte humano.

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Aparentemente o teletransporte de pessoas é algo beeem distante da nossa realidade, mas o teletransporte de informações já revolucionou a nossa vida. O desenvolvimento tecnológico fez possível a troca de imagens, voz e documentos a milhares quilômetros de distância, como antes nunca se imaginou. Que os estudos continuem!

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