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MicroRNAs e Regulação Genética: a revolução científica do Prêmio Nobel 2024

Entenda como os microRNAs atuam na regulação genética, influenciam doenças e abrem caminho para novos tratamentos inovadores.

21 de março de 2025
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O Prêmio Nobel de Medicina 2024 reconheceu um avanço significativo na biologia molecular: os microRNAs. Victor Ambros e Gary Ruvkun receberam a premiação por suas pesquisas sobre essas pequenas moléculas que desempenham um papel fundamental na regulação genética.

Essa descoberta ajudou a explicar como células com o mesmo DNA podem desenvolver funções completamente diferentes no organismo. E mais do que isso: revelou novos caminhos para tratar doenças como câncer e distúrbios neurológicos.

Mas, afinal, o que são os microRNAs? E por que essa descoberta é tão relevante para a regulação genética? Continue acompanhando para entender!

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O que são MicroRNAs?

Os microRNAs (miRNAs) são pequenas sequências de RNA que atuam regulando a expressão gênica dentro das células.

Diferentemente do RNA mensageiro (mRNA), que transporta informações genéticas para produzir proteínas, os microRNAs agem como “interruptores”, controlando quais proteínas serão produzidas e em que quantidade.

Ou seja, enquanto os mRNAs são como “guias”, que levam as informações para produzir proteínas, os microRNAs são “controladores”.

Essa regulação é essencial para o funcionamento equilibrado das células e para processos como crescimento, diferenciação celular e resposta ao ambiente.

Descoberta dos microRNAs

Nos anos 1990, enquanto estudavam o desenvolvimento do verme Caenorhabditis elegans, os cientistas Victor Ambros e Gary Ruvkun identificaram o primeiro microRNA, chamado lin-4. Eles perceberam que ele interagia com outro RNA, regulando sua função e impedindo a produção de determinadas proteínas.

Antes dessa descoberta, acreditava-se que apenas proteínas podiam desempenhar esse papel de controle genético. O estudo mostrou que pequenos RNAs também poderiam exercer influência direta sobre quais genes estavam ativos ou inativos.

Com o tempo, os pesquisadores descobriram que os microRNAs não eram exclusivos desse organismo, mas estavam presentes em diversas espécies, incluindo humanos.

Como os microRNAs regulam os genes?

Cromossomos.

Os microRNAs ajudam a controlar a produção de proteínas nas células. Eles se ligam a moléculas de RNA mensageiro (mRNA), que carregam as instruções para produzir proteínas. Quando isso acontece, o mRNA pode ser destruído ou bloqueado, impedindo a fabricação da proteína correspondente.

Assim, os microRNAs funcionam como pequenos “interruptores”, regulando a quantidade de proteínas conforme a necessidade da célula.

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A importância dessa descoberta para a biologia celular

A pesquisa sobre microRNAs trouxe uma nova perspectiva sobre o controle dos processos celulares, demonstrando que essas pequenas moléculas têm um papel fundamental na regulação da expressão gênica. Elas desempenham funções essenciais em diferentes aspectos da biologia celular, como:

  • Diferenciação celular: os microRNAs ajudam as células a adquirirem características específicas durante o desenvolvimento embrionário, garantindo que cada tecido ou órgão funcione corretamente.
  • Proliferação e apoptose: o equilíbrio entre a multiplicação e a morte celular programada é regulado, em parte, pelos microRNAs, prevenindo crescimentos descontrolados ou degeneração precoce dos tecidos.
  • Resposta ao estresse: quando uma célula enfrenta mudanças ambientais ou danos internos, os microRNAs ajustam a atividade de genes envolvidos na resposta ao estresse, permitindo adaptação e sobrevivência celular.

MicroRNAs e doenças humanas

O estudo dos microRNAs revelou que seu funcionamento inadequado pode estar diretamente relacionado ao surgimento de diversas doenças. Isso ocorre porque a regulação genética exercida por essas moléculas afeta processos biológicos críticos. Algumas das condições mais impactadas são:

  • Câncer: certos microRNAs podem estimular genes que favorecem o crescimento de tumores ou inibir genes que impedem a multiplicação descontrolada das células.
  • Doenças cardiovasculares: alguns microRNAs estão diretamente ligados ao funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos, influenciando a resposta inflamatória e o reparo dos tecidos após lesões.
  • Distúrbios neurológicos: a regulação dos genes no cérebro também depende da ação dos microRNAs, e mudanças nesses mecanismos podem contribuir para doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla.

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Aplicações terapêuticas e o tratamento de doenças

Médico cumprimentando um paciente.

O avanço das pesquisas sobre microRNAs abriu novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias inovadoras. O entendimento do papel dessas moléculas na regulação gênica possibilitou sua aplicação em diversas áreas da medicina, como:

  • Biomarcadores diagnósticos: como os microRNAs apresentam padrões de expressão específicos em diferentes doenças, sua análise pode ser usada para detectar condições médicas precocemente, antes mesmo do surgimento dos sintomas.
  • Terapias baseadas em microRNAs: cientistas trabalham no desenvolvimento de estratégias que utilizam moléculas sintéticas para imitar ou bloquear a ação dos microRNAs. Essa abordagem tem potencial para regular genes associados a doenças e restaurar o equilíbrio celular.

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A premiação de Victor Ambros e Gary Ruvkun pelo Prêmio Nobel de Medicina 2024 destaca o impacto dos microRNAs na regulação genética.

Esses pequenos fragmentos de RNA desempenham um papel essencial no funcionamento das células e oferecem novas perspectivas para a ciência e a medicina.

Se você quer explorar mais descobertas científicas e entender como elas impactam nossa vida, continue acompanhando nossos conteúdos no blog e siga nossas redes sociais!

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Fontes:

Nobel de Medicina de 2024 premia descoberta de microRNAs

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